FBI pede bloqueio de transações ligadas ao roubo na Binance

Revisado pela equipe editorial da NV Global

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Não é uma ordem: o FBI e duas agências parceiras pedem que o setor privado recuse transações com, ou derivadas de, 628 endereços do roubo na Binance.

Em 31 de outubro de 2026, o FBI afirmou que a Coreia do Norte estava por trás de um roubo de mais de US$ 6 bilhões da Binance. Junto com o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS) e a Investigação Criminal do IRS (IRS-CI), o FBI instou o setor privado a bloquear transações com 628 endereços, ou derivadas desses endereços.

O que aconteceu

O alerta, publicado na página de alertas cibernéticos do FBI, data o roubo em ou por volta de 29 de outubro. Ele atribui o roubo a uma atividade norte-coreana que a agência chama de TraderTraitor. O FBI afirma que ele, o USSS e o IRS-CI observaram os agentes convertendo os ativos roubados, em sua maior parte, em Ether. O alerta acrescenta que se espera mais lavagem de dinheiro por meio de serviços DeFi e de swap instantâneo.

As três agências “estão instando entidades do setor privado” (tradução) a bloquear transações que envolvam os endereços listados, ou derivadas desses endereços. O pedido de bloqueio de transações feito no alerta não é uma ordem. O alerta cita vários tipos de empresa como exemplos de quem são seus destinatários, introduzidos pela palavra “including” (“incluindo”), e não como uma lista fechada.

A lista que vem em seguida reúne 628 endereços: 608 no Ethereum, 19 no Bitcoin e um no Solana. O FBI afirma que esses endereços “detêm ou já detiveram ativos do roubo” (tradução). Ele os descreve como “operados por agentes norte-coreanos do TraderTraitor ou estreitamente ligados a eles” (tradução).

O alerta não cita nenhuma obrigação legal de bloquear transações, não menciona sanções e não informa se algum recurso foi congelado ou recuperado.

Por que isso importa

O pedido alcança além dos próprios 628 endereços. Em nossa leitura, “derived from” (“derivadas de”) abrange recursos que saíram desses endereços e passaram por outras carteiras ou serviços de swap antes de chegar a uma empresa. Uma checagem que compare apenas a contraparte imediata com uma lista fixa não veria esses recursos; rastreá-los de volta pelas transferências anteriores veria. O alerta não explica como fazer essa checagem.

O formato não é novo. Em 26 de fevereiro de 2025, o FBI atribuiu ao TraderTraitor o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da Bybit. Publicou 51 endereços Ethereum com um pedido redigido de forma quase idêntica, com “encourages” (“incentiva”) onde o alerta da Binance traz “urging” (“instando”). As listas de destinatários diferem. O pedido do caso Bybit citava exchanges e bridges; o do caso Binance cita operadores de THORNode e exchanges instantâneas, e não bridges.

A atividade também tem uma atribuição anterior. Em dezembro de 2024, o FBI, o Centro de Crimes Cibernéticos do Departamento de Defesa e a Agência Nacional de Polícia do Japão a ligaram a um roubo da DMM, no Japão. Esse roubo, em maio de 2024, levou criptomoedas então avaliadas em US$ 308 milhões.

Quem é afetado

  • Entidades do setor privado em geral, a quem o pedido é dirigido
  • Os tipos de empresa que o alerta cita como exemplos: exchanges instantâneas, serviços DeFi, operadores de nós THORNode e RPC, outras prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs) e empresas de análise de blockchain
  • Empresas fora dos Estados Unidos: o alerta não limita o pedido por país
  • Equipes de compliance que mantêm listas de checagem de endereços em qualquer uma dessas empresas

Recomendações para as empresas

  1. Uma lista de checagem montada a partir do alerta só fica completa com os 628 endereços. O pedido abrange as seções de Bitcoin e de Solana, além da de Ethereum.
  2. Registre qual versão da lista foi carregada e quando, porque uma página de alerta pode ser revisada depois de publicada.
  3. Registre um bloqueio de transação feito com essa base como resposta a um pedido do FBI, e não como correspondência em lista de sanções: o alerta não cita nenhuma designação de sanções.
  4. O alerta indica dois canais para informações relacionadas: o Internet Crime Complaint Center (IC3) do FBI ou um escritório local do FBI.

Fontes

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